O 4 DE FEVEREIRO: INÍCIO DA LUTA ARMADA EM ANGOLA
01/02/2018 - 11h04 em Consulado de Angola no Rio de Janeiro

O 4 DE FEVEREIRO: INÍCIO DA LUTA ARMADA EM ANGOLA

A República de Angola celebra neste domingo o 57º aniversário do 4 de fevereiro, Dia do Início da Luta Armada de Libertação Nacional. A 4 de Fevereiro de 1961, patriotas angolanos desencadearam um ataque à Cadeia de São Paulo e à Casa de Reclusão, em Luanda, dando início à Luta Armada. Esta luta culminou com a proclamação da Independência Nacional, a 11 de Novembro de 1975.

Na madrugada de 4 de Fevereiro de 1961, um grupo de mulheres e homens, munidos de paus, catanas e outras armas brancas, atacou a casa de reclusão e a cadeia de São Paulo, em Luanda, para libertar presos políticos, ameaçados de morte. A ação tinha por objetivo primário libertar os presos políticos angolanos que se encontravam encarcerados nas cadeias visadas, acusados pelas autoridades coloniais de atividades subversivas. Os participantes no ataque foram treinados sobre questões mais práticas, como manejar os instrumentos que seriam utilizados, principalmente catanas, ou desarmar uma sentinela, segundo relatos das testemunhas. Em resposta ao ataque, o regime colonial-fascista reagiu brutalmente com uma ação de repressão em todo o país, com assassinatos, torturas e detenções arbitrárias. Essas prisões e assassinato de várias pessoas indefesas levou alguns nacionalistas a organizarem-se para a luta de libertação.

Os preparativos da ação tiveram início em 1958, em Luanda, com a criação de dois grupos clandestinos, um abrangendo os subúrbios e outro a zona urbana, coordenados por Paiva Domingos da Silva, Imperial Santana, Virgílio Sotto Mayor e Neves Bendinha (já falecidos). A ação inseriu-se também nos anseios da população e na necessidade de se passar a formas de luta que correspondessem à rigidez da administração colonial. Para tal valeu a colaboração do cónego Manuel das Neves e outros combatentes.  Segundo dados, terão se destacado na ação, entre outros, os nacionalistas Paiva Domingos da Silva, Imperial Santana, Virgílio Sotto Mayor e Neves Bendinha (já falecidos). Estes ajudaram a coordenar o assalto, cujos preparativos se iniciaram em Outubro de 1960.

O 4 de Fevereiro de 1961 é considerado um marco importante da luta africana contra o colonialismo, numa tradição de resistência contra a ocupação que vinha desde os povos de Kassanje, do Ndongo e do Planalto Central. Os primeiros relatos de realce de resistência à ocupação colonial datam dos séculos XVI e XVII (1559-1600 e 1625-1656), conduzidos por Ngola Kiluanje e Njinga Mbandi, esta soberana do Ndongo. Os acontecimentos de Fevereiro de 1961 traduziram-se assim numa sublime expressão de nacionalismo, demonstrada pelos angolanos.

Este ano, as festividades decorrem sob o lema “Glória Eterna aos Heróis da Pátria”. As celebrações decorrem no país com atividades culturais e recreativas, destacando-se encontros, palestras e seminários, com o objetivo de destacar o exemplo do 4 de Fevereiro para as novas gerações. Recordar a importância da data, sensibilizar a sociedade para o seu empenho ativo nas tarefas que visam a consolidação da paz, a reconciliação nacional e a reconstrução do país, em todas as suas vertentes, constam igualmente dos objetivos da celebração da data.

 

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